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História da Pomada A história aqui transcrita, que nos conta como surgiu a fórmula para a fabricação da Pomada do Vovô Pedro, foi retirada do Jornal Sementes de Luz. (Rua Prof. Paulo Chaves, 276 - Jd. Anavec, Limeira - SP. (0XX19) 451-0143 - sementes@widesoft.com.br)
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O Centro Espírita Campos Vergal da Colônia de Hansinianos Santa Isabel, em Betim, na Grande BH, regurgitava de internos. Seu diretor, o "Pipoca", como todos o conheciam e chamavam, extraordinário espírita e Espírito, não cabia em si de contentamento. Afinal, não se tinha notícia do lançamento de um livro em uma colônia de hansenianos, muito menos no Centro Espírita de uma delas. Á frente, sucediam-se os oradores, ressaltando a importância do fato. À mesa, ao lado de Pipoca, de cenho fechado, o médium Joâo Nunes Maia e uma pilha de livros - "Além do Ódio" - Título dos mesmos, um romance ditado pelo espírito Sinhozinho Cardoso, cujo enredo baseia-se em episódio da época da escravatura. |
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Ele ali estava, contudo, a pedido do Espírito Niquinha, personagem do romance, que, na estória, desencarna com o mal de Hansen e que houvera feito o pedido de ser ali o seu lançamento quando de uma das exteriorizações perispirituais de Nunes Maia. O médium estava preocupado por dois motivos: Jamais teria coragem de cobrar pelos livros que levara, em número de cento e cinco, estando extremamente necessitado do numerário correspondente, não só para pagar pela edição do próprio "Além do Ódio" como por outros livros que "reclamavam" divulgação, já prontos para o prelo; via, à sua frente, mais de quatrocentos irmãos hansenianos. Como iria fazer para que todos tivessem o exemplar do livro, se levara apenas 105? Pipoca, certamente conduzido por intuição, fala-lhe ao ouvido: sei o que o preocupa. Pode sossegar, conheço a todos que aqui estão. Dê um livro a cada família. |
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Foi como se uma aragem fresca inundasse os pulmões do médium. Como não pensara nisto? Voltou-se, emocionado, para Pipoca, e apertou-lhe significativamente o braço esqualido e já macerado pela pela insidiosa enfermidade, que, contudo, recebera com benção do Mais Alto. Finda a reuniâo, Pipoca informou aos presentes o sistema a ser adotado para a doação e o autógrafo nos livros. Organiza-se a fila, o médium subscreve dedicatórias. A pilha de livros vai se abaixando, abaixando, ... Nunes sente sua testa enrugar-se de novo. Mas, oh ' Bondade Divina' ao subscrever os 105 exemplares que levara, nota emocionado, que a fila já não mais existia. Foram levados 105 exemplares e eram 105 famílias presentes. Pipoca sorria a seu lado: o belo sorriso dos justos, dos bons. Nunes Maia sequer lembrou-se da 'lacie' ao entrelaçá-lo em abraço cheio de vibrações espíritas, que tanbém emcobria aos demais, seus olhos, inundados de lágrimas através das quais visualizava Niquinha, envolta em luz etérea, a sorrir-lhe, agradecida. |
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Parecia que, com o episódio da doação dos livros, a quota de emoção espiritual do dia estava esgotada. Ledo engano. No palco do Centro Espírita Campos Vergal, conversava Nunes Maia, animadamente com Pipoca e outros confrades, prestes a dispidir-se, uma vez que os bancos da casa estavam, praticamente, vazios. Ao volver o olhar para o salão, contudo, indescritível espetáculo espiritual impressionou seus sentidos. Pelos lados do auditório do centro espírita, à direita e à esquerda, adentravam espíritos de negros, envergando roupa própria da época da escravatura do enredo do livro que acabara de doar. Pelo centro do salão, Sinhozinho Cardoso, Niquinha e outros personagens de destaque do livro eram reconhecidos pelo médium. Aproximavam-se seguindo ao espírito Miramez, que se postava à frente, ladeado por outro espírito, ao qual o médium não reconhece. Este trajava um comprido casaco e sua postura denotava grande elegância e envergadura moral. Novamente, o salão do Campos Vergal estava lotado, agora por espíritos. |
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Enquanto todos estavam, expectantes e se assentavam nos bancos, Miramez e o espírito de casaca comprida se aproximavam de Nunes Maia. Então este último lhe dirige a palavra: - Aqui estou para desencumbir-me de compromissos secular com Jesus, o Cristo e com Deus, nosso Pai Maior. Peço que anote uma receita que vou ditar-lhe e que irá alivar ou mesmo eliminar os males de tantos e tantos- como este - com um sinal indica Pipoca e outros internos da Santa Izabel e de um sem número de outras enfermidades, principalmente da pele. Nunes Maia, conquanto aturdido, recolhe do chão uma folha de papel e, a um canto anota, emocionado, os ingredientes da receita. Ao fim do ditado, aguarda a identificação do Espírito de tão elevada envergadura, quando da assinatura da receita. Com uma fisionomia insondável conquanto alegre, ele diz, simplesmente: Vovô Pedro. |
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Ante a surpresa estampada no rosto do médium, o espírito aduz: - É preferível que as coisas simples tenham nomes simples. Uma observação, porém: o preço deste medicamento poderá ser um e apenas um - "DEUS LHE PAGUE". Cumprimentando-o, à maneira da época da sua última encarnação, o Espírito, nimbado de luz, despede-se e se volta para retirar-se. Miramez dirige ao médium significativo olhar, lentamente, todos os espíritos se retiram do salão. |
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Com o precioso papel na mão, novamente envolto em elevadas vibrações, Nunes Maia busca aproximar-se do grupo em animada conversa. Antes, porém, rebusca a memória, procurando a identidade de espírito tâo agradável quanto elevado. Lembra-se, finalmente, depois do salão vazio. Era Mesmer, aquele espírito era o extraordinário advogado, teólogo, doutor em filosofia e medicina, que, contudo, assombrara o mundo com as curas através do que chamou magnetismo animal, ao final do século XVIII. Era Mesmer, que também estava citado no livro " Além do Ódio" e que havia encontrado naquele abençoado dia a vibração propícia para ditar-lhe a receita da hoje afamada "Pomada do Vovô Pedro", que tanto bem vem semeando no Brasil e além fronteiras, tendo como preço, tal como pessoalmente recomendado - DEUS LHE PAGUE. |
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