Exercícios do Amor Cristão
(do livro “Inspirações do Amor Único de Deus” – Volume 2)
Antônio de Aquino, 12/10/2003, pela mediunidade de Altivo Pamphiro
“Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração daqueles que se reunem sobre os olhos do Senhor e imploram a assistência dos bons espíritos. Purificai, portanto, vossos corações (...) Elevai vosso espírito até aqueles a quem chamais, a fim de que, encontrando em vós as disposições necessárias, eles possam lançar em profusão as sementes que devem germinar em vossos corações e neles produzir os frutos de caridade e justiça.” – Allan Kardec, O Evangelho Segundo o espiritismo, Cap. XVII, item 10.
Que o amor único de Deus inspire todas as almas para o bem!
Perfeição. Viver no mundo. Valores da simplicidade e da humildade. Sentimentos enobrecedores. De tudo isto nos fala a mensagem do Evangelho Segundo o Espiritismo. Olhando para a nossa sociedade espiritual e também para a sociedade encarnada observamos que todos estamos convidados à pratica desses valores, buscando assim a chamada perfeição de que nos falou Jesus.
Como? Como ser perfeito numa sociedade tão díspara nas suas idéias? E quais são os sentimentos tão complexos que caracterizam o ser humano? A própria mensagem diz: “Buscai a simplicidade; evitai as contendas; sacrificai ao mundo, mas com simplicidade. Busquemos, acima de tudo, a Deus.”
Como evitar a contenda? Como evitar o mal-estar? Como buscar a simplicidade? Entre muitas coisas, é necessário ao ser humano respeitar os limites de cada um; sentir que cada indivíduo em uma faixa de vida, cujos limites não consegue ultrapassar. E não se pode exigir dessa pessoa além daquilo que ela tem para dar. Será, então, necessário aceitarmos de todos o comportamento que eles têm, invadindo o nosso próprio, machucando a nossa natureza? Não! Não é isso que quero dizer, mas sim que se temos a possibilidade de compreender mais o próximo, devemos exercitar essa compreensão a mancheias, de modo que as pessoas nos vejam como representantes da caridade.
Ora, as pessoas, geralmente, na casa espírita são, pode-se dizer sem sombra de erro, verdadeiros escandalos que nos fala o Evangelho. São confusas, tumultuadas, com a sua simplicidade ou com a sua ignorância ou com o seu ato deliberado de tentar fazer com que as coisas andem segundo os padrões que elas estabelecem. Constituem-se estas pessoas em verdadeiros testes de amor ao próximo, de tolerância, de convivência fraterna e de pacificação.
Viver, em certos momentos, é uma arte, e em outros, é o exercício de amor cristão. Numa casa como a nossa, que se modela pouco a pouco, dentro dos padrões do bem e do Evangelho, encontraremos, muitas vezes, oportunidades de desitirmos de fazer o bem alegando que tal pessoa não tem condição de viver conosco porque não é capaz de entender o caminho que estamos trilhando. Mas respondem os bons espiritos que cercam a todos: “Será através destas pessoas que vocês irão ver o que corrigir no próprio comportamento; será através destes membros ocultos do sofrimento que conseguiremos observar a fealdade que ainda existe em nós; a insegurança que carregamos no nosso ser; a indiferença ante a dor.”
Uma sociedade como a nossa, que se forma, pede companheiros bons, mas atrai companheiros infelizes. E os infelizes são aqueles que cobram comportamentos, porque justamente não são capazes de avaliar a sua própria inferioridade. E os que estão perseverantes no Evangelho, no estudo, na compreensão, na difusão, no trabalho, enfim, estes modelam tais almas pelos exemplos que dão, pelo comportamento equilibrado e pelo gesto contínuo de amor ao próximo.
Modelamos a nossa casa e desejamos que ela seja modelada segundo os padrões do Evangelho. Não temos amor para dar ainda; ainda nos resta muito da animalidade; ainda somos infelizes, exigentes, ciumentos, inquietos, inseguros, mas já temos noção do que é o certo e do que é o errado. E devemos ter perseverança no modelo que estamos desejando plasmar em nossa Instituição.
Não esmoreçamos de fazer o bem! Não esmoreçamos de falar do bem! Multipliquemos os gestos de benemerência, de boa vontade e façamos de nossa vida uma constante demonstração de equilíbrio.
Cansaço? Claro que teremos inúmeras vezes! Vontade de desistir? Jamais! Gestos de imprudência? Com certeza teremos muitos. Mas e o sentimento de amor? Precisamos e iremos desenvolvê-lo diariamente: silêncio na hora necessária; paz, nos momentos precisos; prática do bem, de modo contínuo; amor ao próximo, como meta a alcançar.
Repito, nossa casa espírita, qual argila que está sendo modelada pelas mãos de todos aqueles aqui presentes, precisa ter um modelo. Esse modelo é Jesus. O padrão é dado pelo Evangelho; o amor é o cristão; os sentimentos serão sempre os nobres; a paciência será nossa irmã; a esperança nossa companheira; e a vida será vivida e teremos aqui não apenas dez, onze, doze, quarenta, cinquenta anos de vida, mas teremos dentro do nosso coração o hábito constante de viver em paz. E será a paz a argamassa com que levantaremos e ligaremos os inúmeros tijolos, ou seja, as inúmeras qualidades que cada um dos presentes tem no coração para construir o prédio de fraternidade que será essa casa.
Que modifiquemos os hábitos quando necessário; que aprendamos o bem continuamente; que não esmoreçamos nunca e que sigamos adiante, pedindo a Deus que nos dê a oportunidade de seguir em paz, criando dentro de nós o sentimento nobre e profundo, o sentimento do amor ao nosso semelhante! De posse desse tesouro chegaremos cada vez mais adiante, porque o céu, ah! O céu pode estar longe, pode ser que jamais o vejamos nos milênios que vêm pela frente, mas a fraternidade e o bem, estes estão ao alcance de nossas mãos.
Busquemos estes valores e façamos de nossa vida uma vida de lutas, de luz, de paz e de muito amor no coração! Que o amor único de Deus inspire também esta casa em sua caminhada! Desejando a todos as alegrias do dia de hoje e a continuidade das alegrias nos dias que se seguirão.
Muita paz, meus caros amigos, todos irmãos em Jesus!
Muita Paz!
Antonio de Aquino