O ano de 2007 não apenas mudou a história do Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas como estabeleceu um grande marco: a Casa saiu da Rua General San Martin, 1212 e se instalou em definitivo na Rua Almirante Guinle, 265, no Leblon.
Não é uma simples mudança de endereço! É a realização de um sonho acalentado há mais de 20 anos: a conquista da Casa própria, o fim do aluguel, a certeza de um investimento maior nas obras e projetos assistenciais desenvolvidos na Casa Espírita Cristã Maria de Nazaré, no Bairro da Rocinha. É lá que estão trabalhos como o atendimento a seiscentas famílias, não apenas na preservação da saúde do corpo, mas principalmente, na saúde da alma.
Torcida e empenho não faltaram! Direta e indiretamente mais de mil pessoas, entre trabalhadores e freqüentadores, se mobilizaram para concretizar o sonho da Casa Nova.
E quem para contar um pouco dessa história rica em emoção e muito amor? Fomos buscar duas das dezenas de trabalhadoras do Rita de Cássia: Ana Maria Mendes, que cuida da parte complicada que é a financeira, e Maria Regina De Agostini, Diretora da Área Doutrinária da Casa, envolvendo mais de quatrocentos médiuns e milhares de freqüentadores interessados em conhecer a Doutrina dos Espíritos.
“O Rita” como carinhosamente é chamada nossa Casa, no Leblon, funcionou durante muitos anos no Edifício Vitrine do Leblon. O lugar não tinha cara de Casa Espírita.
Quando Maria Regina De Agostini chegou em l984, a Casa ocupava apenas uma sala no 7º andar do prédio, e foram as palestras do médium João Carlos Cunha, que a sensibilizou. Tinha início o que Maria Regina define como “uma linda história de amor” entre ela, a Escola Espírita Cristã Maria de Nazaré e o Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas.
Ana Maria Mendes chegou um pouco depois, em 1996 e logo se envolveu com o Encontro sobre O Livro dos Espíritos que acontece durante o carnaval. Ana viu ali a grande oportunidade de estudar mais profundamente todas as respostas que procuramos vida afora e que os Espíritos superiores gentilmente nos ofereceram através de Allan Kardec. Para ela, esse é o livro mais importante da Doutrina.
Os diversos trabalhos na Casa as envolveram e logo a realidade começava a apontar um grande desafio: a necessidade de sair do Edifício Vitrine do Leblon. “O Rita cresceu muito, e a gente atrapalhava. Era no oitavo andar, na hora de reunião pública, de maior movimento, os médiuns ficavam preocupados com a saída dos freqüentadores.” Ana Mendes lembra que o mal-estar com o condomínio do prédio deve ter durado cerca de um ano.
No início a procura por uma nova casa não foi tão apressada. Pensava-se apenas em alugar. A idéia de comprar estava muito distante de todos. Afinal, aquele oitavo andar era o lugar ideal moldado pelo hábito de todos. Um novo espaço ia aparecer, com certeza, havia tempo para isso...
Mas em 2003 o condômino intimou a Casa a sair do prédio, pois o fluxo de pessoas era cada vez maior e os elevadores ficavam lotados ao término de cada trabalho na Casa, criando transtornos ao funcionamento do condomínio.
Foi muito doloroso: a intimação veio da Justiça e as portas do Rita se fecharam por 15 dias. Maria Regina compara a situação com a história de um mestre que retira a vaquinha que alimentava uma pobre família. A família, sem alternativa, resolve ir à luta. O mesmo ocorreu com o Rita. “Fizeram assim com a gente: tiraram a nossa vaquinha e disseram ‘se mexam’”, relembra entre risos.
Não era hora para choros, lamentos e muito menos desesperos: os trabalhos não podiam esperar, pois muitos encarnados e desencarnados precisavam das atividades na Casa.
E o grupo foi à luta. Revendo, agora “com a espada na cabeça” como relembram Ana Mendes e Maria Regina, veio à memória uma das casas para alugar, vista anteriormente. O contrato foi fechado numa quarta-feira à tarde, e no sábado a casa era reinaugurada com tudo que tinha direito. Assim surgiu quase que da noite para o dia, o novo endereço do Rita, na Rua General San Martim, 1212.
Casa nova, obrigações novas. Ana que tem o curso de contabilidade e tinha feito alguns trabalhos para a Casa, foi fisgada pela Direção, necessitada de alguém que cuidasse da parte financeira. “Foi aí que me empurraram para a parte administrativa.” Esse trabalho a distanciou da parte mediúnica, mas não foi, apesar da enorme responsabilidade, motivo para ela se afastar dos estudos e dos encontros de carnaval.
Para Maria Regina, era a certeza de um trabalho mais abrangente: aumentou o número de reuniões públicas e os horários de estudos, também.
O novo espaço seria um descanso? Por certo que não!
Um alerta feito no dia da reinauguração da Casa, pelo querido Altivo Pamphiro (na época Presidente da Casa Espírita Léon Denis), ficou guardado na memória de Ana Maria Mendes: “Gente, o contrato é de cinco anos, renovável por mais cinco, e dez anos passam rapidinho! Vocês vão ter que procurar casa! De novo vocês estão num lugar alugado, continuam com a espada em cima da cabeça. O Centro está muito grande”.
A compra de uma casa que pudesse abrigar em definitivo o Grupo Rita de Cássia não saiu da cabeça da direção. Um belo dia surgiu a grande oportunidade. Uma médium passando pela Rua Almirante Guillem viu uma casa, já conhecida do grupo, que estava à venda. O tamanho do terreno era o mesmo onde hoje estava o Rita, o que deu a Maria Regina a certeza de que o negócio precisava ser fechado. Logo! O próximo passo era comprar.
Ana Mendes não descarta que foi necessário vencer alguns desafios. “É claro que existia uma preocupação muito grande, mas o desafio tinha amparo”. Maria Regina acrescenta, “parece que tudo estava arrumado para acontecer. Não podíamos deixar passar essa oportunidade.”
Foi tudo muito rápido. Algumas salas onde funcionava a Casa no antigo endereço foram vendidas. A loja do bazar, também. O dinheiro arrecadado só dava para pagar um terço do valor da casa. Era hora de envolver os freqüentadores. Surgiram empréstimos, várias doações e um grande movimento através de campanhas e sensibilização. Ana Maria tem certeza que o apoio se deve à “confiança e credibilidade que o grupo adquiriu ao longo dos anos.” Maria Regina vê como justiça: “Está na Lei de Deus. Todo aquele que se reúne com a intenção de ajudar o próximo, é assistido, tem a resposta.” E a resposta chegou!
A situação hoje é um pouco mais confortável – a nova casa está com parte da dívida paga, incluindo o terreno e a primeira parte da obra, “olha que coisa maravilhosa!” diz Maria Regina De Agostini toda confiante! Ana Maria Mendes, embora assoberbada pela grande responsabilidade das finanças, sempre confiou na generosidade de todos – “as campanhas da nossa Casa tem uma resposta muito boa, a gente não tem do que se queixar!”.
Mas os desafios não param. É chegada a hora de acertar as contas com os credores e com a Construtora - temos parcelas restantes da obra - e alguns empréstimos concedidos por pessoas ligadas ao Rita. A Casa está pronta, mas a dívida é respeitável!
A realização integral do sonho ainda não saiu das nossas mãos. A campanha do “Natal 2007 na Casa Nova” foi concretizada, vitoriosa. Mas temos ainda o desafio de pagar nossas dívidas. E precisamos enfrentá-lo juntos, como tem sido desde as origens da Casa.
A nova campanha já foi lançada: é a doação mensal através de carnês e se chama: “Seja um associado do Rita”